- Três?
- Sim, O primeiro foi apenas o que consumou, o segundo foi um erro. E o terceiro... (Sara diz isso passando a mão pelo rosto).
Começo a pensar em algum comentário divertido, mas há algo a reséito de sua expressão que me leva a reconsiderar. Em vez disso o que saí da minha boca é:
-Talvez a terceira vez seja a mágica.
-Há alguma coisa ao seu respeito... Algo diferente. Algo que me faz sentir ligada a você. Algo que eu quase consigo tocar.
- Posso lhe dar algumas sugestões. (digo com ar de malicia, no rosto).
- Estou falando sério. É como se algo tivesse ligado, fazendo com que tudo dentro de mim se ajustasse, e simplesmente parece bom. Isso assusta você?
- Não.
- Provavelmente, a maioria dos rapazes se surpreenderia.
- Eu não sou a maioria dos rapazes.
- Eu sei. É isso que eu gosto em você.
Sara me beija suavemente e então sorri e afasta o cabelo das minha têmporas, e eu me dou conta de que em toda minha existência ninguém me tocou assim; Ninguém me olhou assim. Ninguém me fez sentir assim.
Impotente e invencível.
Apavorado e corajoso.
Cheio de esperança e dúvida.
Tudo ao mesmo tempo.
(Trecho do livro "Desastre")


