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quarta-feira, 16 de março de 2011

A crônica de Diaféria



Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe.

Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo.

O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói.

Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações.

Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo.

O povo está cansado de espadas e de cavalos.

O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo.

Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar.

Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo.

A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos.

O herói e o santo é o que derrama seu sangue.

Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.





Esse homem é o dono do nome que leva o Zoologico de Brasilia.





sábado, 29 de janeiro de 2011

É a melhor 'coisa' que é minha.

Bateu em meu portão e eu fui abrir ele mal olhou-me, só sei que me vi enlaçada no instante seguinte em seu abraço forte, sentindo o gosto quente e macio do seu beijo, parecia que nunca mais nos tocariamos, pois tamanha era a eufória com que nos agarravamos, que acreditava eu, ser o último dia de nossas vidas. Mas isso não era importante, importante era estar ali, sendo tocada por mãos que embalam meu sono durante o meu cansaço, sendo beijada por aquela boca que diz as palavras doces que homem algum ousou fazer soar como estas soam, eu só precisava estar ali e sentir o nosso gostar.
E aos poucos foi-se cessando, fomos nos acalmando e apenas ficando no abraço, ele lançou-me um olhar e pediu-me desculpas por afastar-se assim, e que apesar de todas as tentantivas, tudo foi em vão, pois eu habitei dia e noite o seu pensamento.
E sem mais o que dizer além de que o queria como já mais desejei querer, beijei-o demoradamente e seguido de um sorriso disse-lhe: "Perdôo, desde que isto não mais se repita." e ele ternamente envolveu-me eu seu colo e sussurou ao meu ouvido "Você é minha, e é a melhor 'coisa' que é minha."



Meu amados leitores, desculpe-me por eu andar sumida e sem visitar e comentar os seus blogs, sinto muita falta disso, mas comecei a trablhar e meu tempo está corrido, mas minha vida vai indo e sempre coisas novas pra colocar aqui no blog. Terminei de ler o livro "Desatre" e totalmente recomendo a todo e qualquer leitor, uma leitura diferente, irreverente e encantadora. Obrigada por continuarem visitando, beijinhos ;*

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O que você sente?

O que você sente quando olhos alheios percorrem o teu corpo.
Quando o seu telefone toca e o número é o de seu "ex-amor".
Suas pernas ainda tremem?
Seu coração parece querer sair pela boca eo teu sorriso ainda é inevitável?
Você ainda o ama?
Não, você não sabe...
Porque tem alguem que lhe desperta todas estas mesmas sensações e isso te confunde, afinal você nunca disse que o ama e ainda não sentiu necessidade de tal ato.
Você sabe o que o seu corpo sente, mas não sabe de verdade o que isso significa.
Amar ultrapassa a compreensão... e você sabe que ama, porque a muito não mais se compreende.
Você sente como bolsa de mulher, cheia mas com muita coisa sem utilidades e que quer deixar por lá. 

domingo, 26 de dezembro de 2010

Meu presente *-*





"Meu amigo oculto eu não conheço, bem, na verdade eu andei lendo alguns textos dela (isso mesmo, meu amigo secreto é uma garota) depois que sai com ela, visitei o blog dela, e percebi que é uma pessoa muito legal e escreve muito bem, minha amiga oculta é a Jussielly. Eu não sabia muito bem o que fazer para ela, tentei fazer um texto, mais saiu um desatre, pensei em muitas coisas, mas no final optei pela unica coisa que acho que sei fazer "direito", fic. Espero que ela goste. 



Segunda Chance 
O céu estava tingido de um larajando fraco, enquanto ela dirigia com fúria e lágrimas nos olhos, ela o amava tanto, o deixara partir, deixara ele se casar com outra. Aquilo a consumia por dentro, como algo que corrói a alma e não deixa marcas. Flashes de dias felizes passavam pela sua cabeça, até chegar à lembraça do dia em que ele anunciou que iria se casar.
"Conheci outra pessoa, e nós iremos nos casar na próxima semana."
"Como assim? Você estava com outra esse tempo todo?" - Lágrimas escorriam por seus olhos.  "Apenas me diga a verdade"
"Quer a verdade?"
"Mas que tudo nessa vida"
"A verdade é que eu nunca te amei, todas aquelas palavras eram apenas mentiras"
"Você está mentindo" - Ele se virou e saiu andando, chegou no vão da porta e disse antes de sair: 
"Se eu estivesse mentindo não estaria me casando com outra" - ele sorriu maliciosamente e saiu batendo a porta. 
Idiota. 
Seu mundo desmoronou naquele momento. Três dias antes do tal casamento ela recebeu o convite. 'O que era aquilo?' 'O que ele queria provar?' Ela se lembrou das suas amigas lhe avisando antes de começar a sair com ele: 
 "Fique longe dele"
"O Bryan não é flor que se cheire"
"Mel, não destrua sua vida indo atrás dele."
Mas ela não escutou nenhum dos avisos, nunca ouvia ninguém, e esse foi seu maior erro, e agora estava pagando por ele, voltando de um casamento que a deixou frustrada. 'Por que não impedi que aquilo acontecesse?'  A voz do padre ainda rodava na sua cabeça: "Eu os declaro, marido e mulher". Ela tinha ido ao casamento com o intuito de provar que ela era forte, que aquilo não a tinha tido influência nenhuma sobre ela. Quis impedir o casamento, mas nao fez nada. 'Era isso que ele queria que eu fizesse papel de idiota na frente de todos', mas agora ela estava arrependida e não tinha como voltar atrás. 

Tinha dirigo a noite inteira e agora já estava amanhecendo, ela estava cansada, mas continuava sem rumo, sem saber para onde estava indo, dirigindo por lugares dos quais ela nao se lembrava de ter passado na ida, sua cabeça continuava um turbilhão de perguntas sem respostas. 'Onde ela tinha errado?''O que ela tinha feito para merecer aquilo?' Mas ela estava decidida, recomeçaria sua vida do zero. Era jovem, então não precisava se preocupara tanto. 'Mas seria verdade?'

Ela entrou nas ruas da cidade sem se dar conta disso. Quando caiu em si estava prestes a bater em outro carro que estava parado no sinal fechado. Ela tentou frear, mas já era tarde demais,'droga', pensou consigo mesma. Respirou três vezes antes de largar o volante e conseguir descer do carro 'Não deveria deixar o Bryan me abalar assim', falou consigo mesma.O rapaz que dirigia o carro era jovem, aparentava ter a mesma idade que ela, ele era alto, moreno, olhos castanhos (que tinha conseguido ver com muito esforço), ele era muito bonito. Antes que ele pudesse se pronunciar, ela disparou a falar:
- Eu estava distraída, o erro foi meu, pode deixar que irei arca com as despesas - ela gesticulava com as mão e isso o fez rir. 
- Tudo bem, não precisa. 
- Como assim? - perguntou um pouco surpresa com a atitude do rapaz. 
- Não precisa pagar nada, pode deixar, eu arco com as despesas. 
Ela ficou sem ter o que fazer, toda aquela gentileza a tinha pegado desprevenida. Eles se fitaram por alguns instantes enquanto uma multidão de curiosos se aproximavam. 
- Eu insisto - disse meio perdida - Eu pago.
- Já que insiste- ele pensou por um momento - Que tal me pagar um café?
Eles sorriram um para o outro. 
- Por mim tudo bem - ela respondeu meio pensativa, ele podia ser um completo estranho, mas o que ela poderia estar perdendo? Era apenas um café. 
- Ah, antes de mais nada, meu nome é Lucas - ele sorriu. 
- Mel - retribuiu o sorriso. 
- E então, vamos? 
- Agora? - ela se assustou
- Por que não?
- Hm, tudo bem então. 
Cada um se dirigiu para o seu carro que não tinha sofrido grandes danos e sem se importar com o incidente da batida. Ela seguiu o carro a sua frente, deixando a multidão de curiosos para trás. Pensava durante o caminho, 'Talvez' o destinho estivesse sorrindo para ela, depois de tudo que tinha acontecido nos ultimos dias. 'Talvez, quem sabe, essa fosse uma segunda chance. Segundas Chances talvez realmente existissem, e era hora de se agarrar a ela com todas as forças', isso a fez sorrir, 'Não dizem que o amor aparece quando menos esperamos?' e ela realmente não ficaria parada para descobrir se isso era verdade. Correria atrás, faria acontecer. Suas esperanças estavam renovadas, e graças a um completo estranho, Lucas. Ela sorriu enquanto estacionava o carro. É, segundas chances também aparecem quando menos se espera, e tudo que você tem a fazer é se agarrar a elas."

 Muito Obrigada Tay, eu amei o presentinho!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Abala o inabalável

Deitada no seu quarto, "A menina que roubava livros" ao seu lado, o celular na mesinha de cabeceira. Ele não toca a alguns minutos, o último telefonema foi de uma amiga, e insistentemente ela olha para ver se não está sem sinal, é... o cara não ligou mesmo e ela não se permite ligar, não, não é orgulho ela apenas não quer incomodar.
A sua mente vaga em devaneios, com e sem sentido, a garota se pega no seu mais íntimo sem nem sequer notar, ela que à muito se sentia estável em relação aos sentimentos que os outros projetavam sobre ela, ela que tem ultimamente sabido tão bem lidar com os 'affairs' que aparecem, mas este, neste ela não consegue parar de pensar, o Bendito viu logo de começo que a garota não seria fácil de dobrar e que seria até mais fácil que ele se apaixonasse antes de conseguir tal feito, talvez ele não saiba, pois ela disfarça bem, mas a confusão que a constante presença dele causou na garota é bem capaz de fazer um grande estrago no atual estável mundinho dela.
É ela se apaixonou, sentiu queimar por dentro o desejo de compartilhar momentos com alguém e agora sente a sensação que vai ser descartada pelo cara e se sentir mal amada, chama-lo de otário por umas duas semanas e se sentir muito bem algum tempo depois, como era nos seus 15 e 16 anos...
-É, a paixão abala aquilo que se acha inabalável , te surpreende e te conduz para uma sucessão de fatos inusitados, se depois não se tornar amor, será uma coisa que futuramente você se perguntara como e porque fez.-
... o telefone não tocou, amanhã talvez ela ligue só pra dar um bom dia, ela gosta da companhia dele, faz bem e é sem compromisso e ela sabe que finge bem, e ele não precisa saber mais nada além disso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os homens vade mecum

Olho todo dia passar por aqui uns homens, todos engravatados, de roupa engomada e bem passada, parecem ser pessoas inteligentes, devem ter muito dinheiro e ganhar bem, ter uma casa bela diferente de mim quem nem casa tenho.
Eu reparo sempre que eles chegam em seus carrões, carros esses que eu cuido, descem todos pomposos e cheia de 'marra', entram naquele prédio ali do lado, prédio que dizem ser onde é feita a tal justiça dos homens, passam horas e horas por lá, depois saem e pegam os seus carros.
Ah e tem também as mulheres, que vem todas elegantes, acredito que tenha estudado bastante, e tenha dinheiro também.
Mas o que eu acho mais interessante é que todos eles carregam livros, uns mais grossos, outros mais finos, de capa colorida, ou preto mesmo, mais surrado ou bem novinho, e todos carregam o mesmo nome na capa "VADE MECUM", não sei ler, mas essa palavra um doutor desses que dessem dos carros me disse que era o que estava escrito e eu sei ela, apenas ela.
Perguntei ao meu 'amigo' mais velho que trabalha comigo o que são esses homens, ele diz que são advogados, juizes, promotores, mas pra mim são Os Homens Vade Mecum, e eu quero quando crescer virar um homem desses, ai eu vou poder fazer parte da justiça do homem como eles, vou ter o meu carrão também, mas acima de tudo vou dar um dinheirinho pro menino que guardar meu carro, e mostrar pra ele o meu livro, o meu vade mecum.  



O que é um Vade mecum?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Msn/Chuva

Era uma terça-feira de novembro e lá estava ela no msn, conversando com amigos, conhecidos de vistas, conhecidos de oi, conhecidos da internet e os totalmente desconhecidos, já estava quase na hora de ela ir para o trabalho e continuava a conversar no msn, nesse dia com uma pessoa em especial ela estava interessada na conversa, tal pessoa ela vinha conversando a umas duas semanas e as conversas entre eles era sempre agradável:
Ele: Fazendo o que linda?
Ela: 'Tô' enviando um trabalho aqui pro pessoal do meu grupo e ai vou me arrumar pra ir trabalhar.
Ele: Aaah, trabalha onde.
Ela: Perto da rodoviária, 20 minutinhos daqui de casa até lá.
Ele: A pé né?
Ela: Éé...
Ele: Bom, mas agora está chovendo.
Ela: É verdade, ai e agora quê que eu faço? Meu pai ta dormindo e eu esqueci meu guarda-chuva na minha tia.
Ele: Quer que eu vá ai te buscar?
(Receosa a moça tentou desconversar, não por medo dele em si, mas por medo do que ela poderia parecer ser, afinal eles já haviam se visto, mas não se conheciam de fato, nao haviam trocado uma palavra se quer pessoalmente.)
Ela: (com fones no ouvido) Ah a chuva praticamente já parou.
Ele: Aqui ainda está chovendo.
(A menina retira os fones e vai até a porta e a chva continua incessante)
Ela: eu tava com os fones, tirei e vi que não passou anida.
Ele: Me diz onde é sua casa que eu vou ai te buscar.
Ela: Olha eu vou me arrumar, quando eu terminar te falo tá?
Ele: Tá.
(Alguns minutos depois.)
Ela: Prontinho (e explica como chegar lá)
Ele: Então tá, tô saindo agora, quando eu chegar ai te ligo.
Ela: Ta bom.
(Depois de um tempinho ela desliga o computador e fica esperando)
O telefone toca.
Ele: Já tô aqui.
Ela: Já tô saindo.
No carro e a caminho do trabalho ela diz: 'Bom agora a chuva parou. rs"
Ele: Ah pelo menos você não sujou os pés naõ é?
Ele a deixou em frente o seu trebalho e foi embora.
Ah e ela, ela passou o dia inteiro rezando para que chovesse na hora em que ela estivesse saindo do trabalho e que ele gentilmente a ligasse e perguntasse se ela não queria uma carona pra casa. É mais não choveu e a moça fica só aguardando que esteja ela e ele no msn outro dia qualquer e que chova e ele se disponha a acompanhá-la afinal uma boa companhia é sempre bem vinda.
Mas talvez vão além os pensamentos da mocinha. rs rs

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Imaginação


Ela saiu do trabalho por volta das 19 horas, ele estava a esperando um pouco adiante. Ela sorriu ao vê-lo ali, a muito ele não a esperava, ela sentiu o coração se inundar de coisas boas e a mente puxar todas as lembranças. Chegando mais perto ele a olha com aquele olhar doce cheio de ternura e lhe diz: "Vamos?", ela assentiu com um balanço de cabeça, ele a pegou pela mão e disse: "Vamos assim, como a muito não iamos, vamos de mãos dadas pra lembrar daquele tempo bom.". Ela se encontrava completamente sem palavras e apenas o seguiu.
Eles trilharam aquele caminho que os levava até a casa dela, e conversaram durante o caminho como o faziam antes, riam, ela o dava um tapinha quando ele dizia alguma 'bobagem' e ria novamente, eles 'discutiram' como sempre faziam sobre a coisa mais boba e ele lhe deu razão como sempre o fez, chegaram ao portão dela, ele a abraçou de forma tão terna que ela desejou nunca mais se desgrudar daquele abraço, ele a soltou e com o rosto dela nas mas mãos beijou-lhe a testa, sorriu olhando em seus olhos e se foi. Diferente da ultima vez, diferente do ultimo encontro, onde caminharam sem se tocar e na despedida não houveram beijos, só um abraço pra minimizar a dor e um adeus com os olhos cheios de água. 
Mas vê-lo ir, vê-lo ir por uma segunda vez e sem ela ter lhe falado que assim era melhor lhe cortava a alma, era profundo de mais o desolamento em que ele havia deixado o seu coração dessa vez (talvez tenha sido assim que o dele havia ficado na última despedida). Ela quis lhe chamar, quis gritar seu nome e pedir um beijo, ela queria aquele beijo, aquele beijo o qual ela censurara da última vez, o beijo que lhe era proibido, o beijo que ela proibiu, que a fazia esquecer do restante do mundo, era triste não ter mais aquele beijo, mas mais triste ainda era ver que toda essa cena havia sido imaginação, ela olhará pra sua frente e virá apenas os formulários dos clientes por preencher, olhou pro relógio do computador e viu que ainda faltava muito pra hora de ir embora, e se deu conta de que ele não à estaria esperando, ele nunca mais a esperaria...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Futuros distintos

Era um grupo de jovens que se conheceu no final do ensino fundamental, todos de mesma faixa etária, eram 8 ali se formando e passando para o ensino médio, mas dentre eles quatro eram realmente amigos, mais que colegas, seriam aquele tipo de amizade que chamamos de irmãos.
 Eram eles, Eduardo o mais velho, Carlos, Jean e Marcelo, belos rapazes, inteligentes e jovens, aproveitavam a vida da melhor forma possível, nenhum diriamos que era um aluno destaque, mas estavam sempre na média, curtiam baladas, bebiam, as vezes realmente embebedavam-se, coisa de adolescente, namoravam belas garotas, faziam cursos extra-curriculares, no 2º ano Marcelo conseguiu um estágio foi o único, mas Carlos sempre ajudara o seu pai na empresa de sua família, Eduardo era entre todos o mais estudioso e Jean sempre fora o que não se destacara muito.
Depois da formatura do Ensino Médio todos se viam agora belos rapazes entre 17 e 18 anos, todos se viam agora de frente para o futuro, cada um com suas expectativas, já sabiam eles que apesar da amizade de anos os dias dali em diante seriam diferentes, afinal teriam de assumir responsabilidades, havia a faculdade, entre outras coisas.
Havia prometido entre si que não se afastariam por completo e que dalí a 10 anos- tempo suficiente para todos terem um futuro para se compartilhar- se encontraria naquele velho pub onde sempre se encontraram, mesmo que este não mais existisse eles estariam aliem em frente.
Eduardo havia ingressado em um curso no Ensino Superior, o que todos já esperavam, subiu na vida, a namoradinha virou a noiva e depois de cinco anos, assim que se formou tornara-se esposa, teve um filho, após estes acontecimentos passou em um concurso público e tomou posse de um cargo de respeito no ministério público, enfim tornou-se um juiz.
Carlos logo depois do término do colégio foi 'obrigado' a assumir a presidência da empresa do seu pai, pois este veio a falecer alguns meses depois. Carlos um jovem bem sucedido, como sempre fora não quis arranjar uma esposa, sempre gostou de relacinamentos esporádicos e aos 28 anos ainda não achava necessidade de se 'amarrar', mas adorava crianças e criou uma espécie de creche onde havia ínumeras crianças que viviam ali.
Marcelo formou-se em administração logo depois que saiu do colégio, ajudava Carlos com a creche e trabalhava em um comercio próprio,  casara-se assim como Eduardo e tinha duas filhas: Emília e Marcelli. Era muito feliz, não tornará-se rico como os amigos, mas não passava necessidades.
Jean o "não tô nem ai" da turma, não fez nada de extraordinário depois que saiu da escola, começou a trabalhar em um supermercado como caixa, ganhava pouco e havia perdido muito de sua alegria, não mantinha contato com os amigos e depois de 5 anos nem ouvia mais falar deles, não sabia como andavam e nem que rumo suas vidas haviam tomado, começou a andar com gente estranha e fazer coisas ilegais.
Nenhum dos quatro jamais esquecerá do prometido de se encontrarem 10 anos após a formatura, mas algo que aconteceu fez com que se encontrassem 2 anos antes do combinado.
Em uma quarta-feira as 13:00 horas em um tribunal, houve o encontro dos quatro antigos amigos.
Jean ali fôra julgado e condenado pelo Juiz Eduardo pelo crime de assassinato da filha mais nova(Marcelli) do comerciante Marcelo ao tentar assaltar a creche financiada pelo empresário Carlos.
Os choros naquele tribunal eram de dor, angustia, traição e indignação, o encontro após 10 anos depois de formados no Ensino Médio jamais aconteceu, e dentro de cada um havia uma pergunta que talvez ninguem nunca saiba responder e ela era: "Como podemos ter tomado caminhos tão diferentes?"
Os amigos de um passado serão sempre lembrados, mas cada um vai tomar o seu rumo, nem todos se tornarão pessoas de boa índole, nem todos serão ricos e as vezes quando se reencontrarem não será pelo motivo mais feliz e talvez quando se encontrar com algum amigo do passado você não poderá dizer que o conhece de verdade como podia em outra época. Afinal a maioria sempre terá um futuro distinto do seu.